Desenhar para a vida

Mar 8, 2022

Torna-se evident👁 numa sociedade centrada no consumo e na extracção sem limites que o design é intencional: pretende-se que cada ser humano siga um processo de escolarização que dessensibilize as emoções, o movimento, a criatividade e a curiosidade.

Pretende-se que na idade adulta se encontre um emprego e que se siga todas as instruções e procedimentos.⚙️

Espera-se que desistamos da nossa família para melhor servir o nosso trabalho (válido para mulheres e homens, com a rara excepção de alguns países)

O desenho diz que devemos passar 80% da nossa vida a trabalhar para descansar e fazer o que quisermos fazer nos restantes 20%, se a reforma o permitir.

🙌Unfortunately este desenho antigo está a começar a ser questionado tanto pelas gerações mais novas como pelas mais velhas. É um processo lento de despertar.

Para alguns, tomar esta decisão é viver num estado de limbo. No medo do fracasso, no medo do que os outros possam dizer. É uma fase de tristeza (afinal, deixámos tudo o que sabíamos estar certo para fazer o que sentimos estar certo).

É um momento para desaprender o que já não serve para que possamos reaprender o novo, o desconhecido, o caminho em que parecemos estar sempre perdidos).

Durante este período de pandemia e realidade virtual, revi vários pressupostos que foram concebidos e que, de alguma forma, eram imutáveis. A suposição tradicional que diz “é assim que as coisas são e não há volta a dar” estava constantemente a caçar-me.

Ao questionar porque sigo este paradigma, apercebi-me de um novo espaço em mim. Reconheci a minha força, capacidade de resiliência e criatividade. Reconheci o medo como energia para o sentido e dirigi-o para servir o meu Ser.

Reconheci o porquê da minha existência ou pelo menos uma parte dela. Lembrei-me da minha linhagem e dos cânticos de esperança que diziam que as próximas gerações seriam mais livres e capazes.

Tudo isto me devolveu a minha ‘agência’: a minha capacidade de agir no mundo como agente de transformação, seguindo um novo desenho centrado na vida. Isto significa que as emoções não devem ser silenciadas, mas sim sentidas e vividas, escutadas e vistas como aquilo que mais nos ajuda a expressar a nossa humanidade. Afinal, como podem os seres humanos comunicar a sua essência ao mundo sem Alegria, tristeza, medo e dor?

Não quero pensar neste conceito como uma teoria mas antes como um estado de consciência e auto-observação, uma prática diária que me convida a descer à terra.

Que práticas diárias tem que o recordam da nossa interdependência? Que práticas desenvolve que lhe trazem saúde e fazem com que você, a sua comunidade e o planeta se sintam vivos?

Desenhar para a vida é perceber que neste curto espaço de tempo que passamos no mundo, queremos usar todos os nossos dons e recursos para o tornar mais belo, mais vivo, mas saudável para esta e para as gerações futuras. Afinal de contas, é para isso que fazemos parte desta vasta teia da vida.

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